A grama do vizinho nem sempre é mais verde

Já viajei pra vários lugares antes de vir para a Coreia. Isso e outras tantas experiências de vida me fizeram ter expectativas em relação a algumas situações. Assim como eu já escrevi no post “Balanço final de semestre” sobre minha decepção em relação aos estudos, a situação é bem essa. A grama do vizinho, amigos que estão em outros países pelo Ciência sem Fronteiras, parece ser sempre mais verde. Porém, a verdade é que essa percepção pode ser limitada por acostumarmos com o bom do nosso lugar e, não percebemos que esse “bom”, pode, na realidade, ser o melhor do mundo.

Esses dias o The New York Times publicou o artigo “O que o Vale do Silício pode aprender com Seul”, para quem não sabe, Vale do Silício é considerado o local mais empreendedor do planeta, onde Apple, Google e outras gigantes da tecnologia estão instaladas para fomentar inovação e, é o sonho de qualquer empreendedor passar por lá. Então porque alguém diria que Seul tem coisas melhores do que o Vale do Silício? Tá, eu sei que a Coreia do Sul é muito tecnológica, entretanto, muitas vezes eu penso que os EUA, representado pelo Vale do Silício, estão muito a frente. A verdade não é essa e eu, simplesmente, ignorava enxergá-la até ler esse artigo com uma visão comparativa dos dois locais do planeta.

Eu não estudo ou moro em Seul, mas toda semana eu estou por lá. E já morei durante alguns dias por lá. Andar por Seul é incrível. Arquitetura, transporte público, shopping centers, templos, história e por aí vai. É tudo muito legal. Mas será que essa cidade é mesmo a melhor do mundo em alguma coisa? Quando cheguei na Coreia eu pensava que sim, mas depois de passar mais tempo por aqui, comecei a apontar erros em algumas coisas e questionar se aqui seria o local do “melhor do mundo” em algo. Hoje, eu vejo que mesmo o melhor do mundo não é perfeito e, não tem de ser, porque coisa perfeita não dá pra melhorar e, não é isso que a gente quer. Queremos sempre melhorar.

O artigo que eu sugiro fortemente ser lido para quem tem interesse na área (infelizmente, só está em inglês, não tive tempo de traduzi-lo) diz bastante coisa legal sobre o tanto que o Vale do Silício pode aprender com Seul e, com a Coreia do Sul. Essa hora eu vejo que minha grama – a capital do país que eu estou vivendo e, entrando em contato com tanta gente – é sim mais verde que a de muita gente. Basicamente, o artigo diz muito sobre como a internet é um bem acessível a todos na Coreia, espaços públicos possuem conexão com rede wi-fi gratuita de altíssima velocidade, mesmo debaixo da terra (rede subterrânea de metrôs de Seul) você consegue acesso wi-fi caso tenha um chip de celular sul coreano. Nada no mundo é igual. E não para por aí, pelo fato de a Coreia ser um país pequeno em sua extensão territorial, a integração de serviços, muitas vezes, não é municipal ou estadual, e sim, nacional.

A altíssima velocidade de conexão de internet faz com que desenvolvedores de websites e aplicativos para celulares não se preocupem com a quantidade de dados em seus projetos, eles simplesmente colocam tudo o que querem, o que faz com que websites e aplicativos fiquem extremamente “pesados”, porém, leves quando utilizados na rede sul coreana que possui as velocidades mais altas de conexão do mundo. Isso não acontece no Vale Silício devido à necessidade de projetos se adequarem a redes em que a conexão possui velocidade muito mais baixa (EUA, Europa, Brasil e o resto do mundo com exceção, talvez, do Japão). Portanto, a melhor lição que o Vale do Silício pode aprender é: Não adianta ter, somente, ideias e iniciativas pioneiras. Uma grande infraestrutura (redes de internet em todo o país e democratização no acesso à internet) para sustentar a transmissão de tais informações é, também, essencial para o sucesso do empreendedorismo de grandes e pequenas empresas.

Baseado neste artigo do TheNYTimes: http://www.nytimes.com/2015/06/07/magazine/what-silicon-valley-can-learn-from-seoul.html

Foto do aeroporto internacional de Incheon. Só escolhi essa foto porque eu acho que passa uma impressão bem futurística da Coreia. =P
Foto do aeroporto internacional de Incheon. Só escolhi essa foto porque eu acho que passa uma impressão bem futurística da Coreia. =P

Uma batalha contra o invisível

MERS – CoV é o nome do inimigo. Abreviação para Middle East Respiratory Syndrome Coronavirus.

Dia 4 de maio deste ano de 2015. Um senhor coreano, acaba de chegar de volta na Coreia de uma viagem por alguns países do oriente médio. Ignorando avisos internacionais de uma possível chegada desse vírus através de passageiros provenientes do oriente médio, o governo coreano não isola ou sequer acompanha tais pessoas após sua entrada na península coreana.

Dia 11 de maio. Aquele mesmo senhor coreano visita uma clínica para averiguar uns sintomas de resfriado ou gripe. Enquanto ainda acreditavam que era apenas uma gripe forte, esse senhor de 68 anos dá entrada em outra clínica e, posteriormente, dois hospitais da Coreia.

Dia 20 de maio. O senhor é identificado com o vírus MERS, o “Paciente Zero”. Após a identificação do vírus, o governo coreano inicia uma pesquisa sobre a possibilidade desse senhor ter transmitido o vírus para outras pessoas. Dito e feito. Outras 16 pessoas que tiveram contato direto com esse senhor em suas diversas passagens por clínicas e hospitais são diagnosticadas com o mesmo vírus nos próximos dias.

Enquanto mais casos vão aparecendo a partir da identificação do primeiro, as notícias começam a circular que o MERS-CoV, antes restrito ao oriente médio, chegou pra valer na Ásia. O governo não tem muito a dizer além de começar a correr atrás de pessoas que podem ter tido contato direto com o paciente zero, isolar as sintomáticas e, pedir para que as assintomáticas fiquem em casa por um período de tempo.

Dia 26 de maio. Uma pessoa com histórico de viagem à Coreia, desobedeceu orientações médicas e viajou de avião para Guangdong, China, através de Hong Kong. Durante o trajeto, a pessoa já apresentava sintomas do vírus.

Dia 29 de maio. Após um teste, o tal viajante é identificado como o primeiro caso de MERS em território chinês.

Dia 1° de junho. Duas vítimas fatais são confirmadas na Coreia do Sul. Uma senhora de 58 anos deu entrada com crise asmática no mesmo hospital em que o paciente zero esteve e, alguns dias depois de se aproximar desse, o estado da senhora se agravou e ela veio a falecer. Um senhor de 71 anos com históricos de problemas renais esteve no mesmo hospital do paciente zero e também veio a falecer. Acredita-se que o vírus afeta os rins após agravar o estado do paciente.

Até ontem eu estava ignorando toda e qualquer informação sobre esse vírus. Porque, de fato, eu não estava preocupado. Porém, ontem à noite após alguns amigos brasileiros me perguntarem se eu não estava com medo eu iniciei uma pesquisa básica. Procurei sobre o que tem na internet sobre essa doença que chegou aqui há 1 mês. Alguns dados atualizados sobre o MERS na Coreia do Sul, a partir de fontes diversas (jornais sul coreanos, WHO – World Health Organization, jornais de todo o mundo e notas oficiais do governo sul coreano) até o presente momento (3 de junho às 19 horas, horário da Coreia do Sul e 7 horas, horário do Brasil) são:

* 2 vítimas fatais
* 28 casos confirmados e hospitalizados
* Estoques de álcool gel acabando de supermercados (ao redor da minha universidade tá bem difícil de achar)
* Vendas de máscaras para “proteger” do vírus cresceram 700% durante o final de semana
* 1312 pessoas isoladas com possibilidade de estarem com o vírus
* 398 das 1312 pessoas isoladas já apresentaram sintomas como febre e dificuldades respiratórias. Todas estão passando por testes para verificar a presença do vírus.
* Aproximadamente, apenas 10% das pessoas “isoladas” estão em quarentena em hospitais. O resto está em casa seguindo orientação do governo para não deixar suas residências.
* 230 escolas cancelaram aulas por conta da ameça do vírus. Grande maioria dessas escolas são infantis e, estão próximas a hospitais que tratam os pacientes infectados.

Um terceiro caso de transmissão terciária foi anunciado hoje pelo ministro da saúde sul coreano. Transmissão terciária é aquela em que o paciente adquiriu o vírus através de uma pessoa infectada pelo paciente zero, isto é, o vírus apresenta capacidade de contágio além de contato direto com o paciente que o trouxe do seu local de origem, países do oriente médio.

Por que o medo nas ruas?

O governo coreano já assumiu que errou ao demorar a tratar os casos suspeitos e deixar o vírus entrar tão facilmente no país. Além disso, o ministério da saúde afirma que não há risco de contágio para o público geral pois a maioria dos casos confirmados ocorreu transmissão dentro de hospitais em que trataram pacientes com o vírus. Por outro lado, devido à demora de resposta do governo, foi também feito um pedido que as pessoas se previnam através de cuidados básicos, como lavar as mãos frequentemente e ir a um hospital em caso de suspeita.

A diferença entre o que o governo diz e o que acontece nas ruas é: desde o acidente com o ferry Sewol em Abril de 2014, o povo coreano tem achado que o governo está sempre demorando muito a agir em diversas situações. Há uma certa insatisfação com o governo e, novamente, o povo não está confiando no que o governo tem dito e, acredita que eles estão escondendo informações sobre o real poder de transmissão do vírus. Isso tudo acaba gerando boatos por todos os lados e, muitas vezes, um certo desespero por parte de algumas pessoas. Não vou negar que como morador da Coreia, eu estou assustado com os números e decepcionado com o fato do governo coreano ter sido negligente ao ponto de deixar isso chegar onde chegou.

Hoje, nas ruas, é perceptível um aumento do número de pessoas utilizando máscaras (nada muito absurdo) e, como eu coloquei ali em cima, diminuição nas prateleiras de álcool em gel e sabonetes antibacterianos (Dettol, por exemplo). O dormitório onde eu moro colocou avisos para lavarmos as mãos frequentemente e, temos agora sabonete Dettol em todos os banheiros do prédio. Explicações sobre o vírus também foram coladas nos elevadores.

E o que é esse vírus MERS?

Teve o primeiro caso confirmado em humano em junho de 2012 na Arábia Saudita, após isso o número de casos foi crescendo aos poucos e, hoje, já foi confirmada presença do vírus em humanos em mais de 20 países. Um total de 1179 casos já foram confirmadas, dos quais 479 foram vítimas fatais (dados do Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças). Mas a Coreia do Sul é o país com o maior número de casos confirmados fora do Oriente Médio. Isso gera algumas especulações, como a de que ocorreu mutações e o vírus pode estar se espalhando com maior facilidade, porém, com menor fatalidade já que na Coreia a taxa de mortes confirmadas está muito abaixo dos 40% de vítimas fatais em relação ao número de casos confirmados no resto do mundo. Ainda não há informação sobre uma possível mutação, mas laboratórios de todo o mundo têm trabalhado arduamente para entender melhor esse vírus que, até o momento, é o vírus mais desconhecido que se espalha sem controle. Não há vacina, não há cura, não há registros claros de nada além de que camelos são hospedeiros assintomáticos e, são considerados os principais responsáveis por espalhar a doença para humanos.

No momento, o medo é do desconhecido. Lavar bem as mãos e se prevenir como se fosse uma gripe que não pode ser pega em hipótese alguma é o melhor a ser feito. Notícias aparecem a todo momento e está até difícil de terminar este texto com tanto coisa acontecendo a todo momento. Boatos surgem nas redes sociais. O governo tem negado informação porque afirma que não há necessidade do público geral saber de tudo, mas a insegurança só aumenta com essas atitudes. Tendas foram montadas dos lados de fora de hospitais para atender casos de quarentena. Fotos de equipes médicas pelas ruas da Coreia chegam pelo kakao (“whatsapp” da Coreia). O mais difícil é lidar com pessoas que acham que não existe ameaça ou que a ameça é grande demais, o melhor que eu tento fazer é ficar de olho bem aberto e tomar as precauções necessárias.

As coisas estão acontecendo muito rápido e, muito provavelmente, devido ao atraso inicial do governo, nos próximos dias o número de casos deve crescer. Não por estar espalhando, mas por estar sendo identificado tardiamente. Países de todo o mundo tem oferecido ajuda, espero que o governo coreano consiga resolver ou, deixar o orgulho de lado e aceitar tal ajuda antes que o vírus se espalhe ainda mais.

Espero que não precise dedicar mais nenhum post sobre isso por aqui e, espero também que isso se resolva rápido. Por enquanto a batalha contra o invisível só assusta.

Alguns endereços de websites que usei como fonte e, utilizo para acompanhar sobre a situação do MERS-CoV na Coreia e no mundo:

http://www.who.int/csr/disease/coronavirus_infections/en/ – Organização Mundial de Saúde.

http://ecdc.europa.eu/en/Pages/home.aspx – Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.

http://www.koreatimes.co.kr – Site de notícias sul coreano (em inglês).

http://www.cdc.gov/coronavirus/mers/index.html Centro de Prevenção e Controle de Doenças – EUA.

http://english.yonhapnews.co.kr/ – Agência de notícias bem grande aqui na Coreia do Sul.

Pelos trilhos da Grande Seul

“Não é à toa que é considerado um dos melhores sistemas de transporte do mundo.”

Táxis, ônibus, trens e, metrô. Tudo está conectado. Basta ter um “T-Money Card” (cartão recarregável para o transporte público) e, até onde eu sei, você está apto para utilizar qualquer ônibus coletivo, metrô e, muitas vezes, táxis por toda a Coreia do Sul. Alguém pode pensar “Ahh… mas a Coreia é muito pequena, assim é fácil”. Mas calma aí, estamos falando de um país com 50 milhões de habitantes. São, pelo menos, uma dezena de milhão de pessoas utilizando esse mesmo sistema de transporte. Não sei você, mas eu acho essa unificação incrível.

O sistema de transporte público como um todo é incrível mesmo, entretanto, eu quero falar é do que mais me chama atenção. Os trilhos da Coreia. Esses só me dão alegria e satisfação na minha vida coreana.

Moro e estudo em Incheon, uma cidade na costa oeste sul coreana. Estou a 38 quilômetros do centro da capital sul coreana, Seul. Não há estação de metrô até a INHA University, meu local de estudo e moradia, porém, basta um ônibus – um pouco irritante porque os motoristas são meio radicais na direção – e em 15 minutos estou na estação Juan. Embarco em um metrô que me leva a Seul em 50 minutos. Não é super rápido, mas a qualidade e o preço do serviço são excelentes. Trens extremamente limpos, ar-condicionado/aquecedor (depende da época do ano) e uma tranquilidade que só tem nos trens da Coreia. O normal são as pessoas não conversarem e, manterem silêncio dentro dos vagões, principalmente durante os horários de pico. O pensamento coletivo é de que a maioria das pessoas precisa descansar antes e/ou após um dia intenso de trabalho. A tecnologia está sempre presente, é comum vermos a maioria das pessoas em um vagão de metrô usando seus respectivos smartphones.

A pontualidade é incrível, atrasos são raros. Um aplicativo para smartphones auxilia ainda mais o usuário nesse quesito. Basta escolher o seu trajeto pelos trilhos da Grande Seul e, ali está. O melhor caminho a ser seguido, onde você deve transferir de linha, qual porta de qual vagão do metrô você deve estar para que sua transferência seja mais eficiente, quanto tempo você gastará neste trajeto, quanto custará para o seu bolso e, por aí vai, tabelas de horários, atualização em tempo real sobre onde está o próximo trem em determinada estação (essa funcionalidade precisa de internet, mas nem é tão útil. O resto é tudo offline e funciona 100% bem). Resumindo, pelos trilhos da Grande Seul a chance de você se perder, se atrasar ou chegar desarrumado para um compromisso é próxima de zero. Esta é a principal razão de eu sempre escolher os trilhos em vez das ruas. Nestas o trânsito te traz muito mais incertezas do que certezas.

E assim eu termino minha jornada de exatos 77 minutos de Incheon a Gangnam (o bairro que inspirou o Gangnam Style). Sim, eu aproveitei a tranquilidade da viagem para escrever este texto. Hora de sair dos trilhos para caminhar até meu compromisso. Até amanhã pessoal! =)

P.S.: Preço de usar metrô na grande Seul:

– Tarifa básica 1050 won, aproximadamente, 3 reais.

A tarifa básica vale para até 10km percorridos. Após essa distância é cobrado 100 won (30 centavos de real) a cada 5km percorridos.

A publicidade que assusta

Como muitos sabem, a Coreia do Sul é um país extremamente bem desenvolvido tecnologicamente e, conseguiu tal sucesso através de muito esforço nos últimos 50 anos, quando saiu de um estado terrível de pós-guerra para, hoje, ter mega empresas referências mundiais em diversas áreas. Mas como nada é perfeito, a Coreia sofre com muitos problemas sociais.

Eu poderia citar várias histórias e situações em que me deparei, aqui na Coreia, com diferenças na maneira de levar a vida. Mas agora citarei apenas um detalhe que me incomoda bastante no dia-a-dia por aqui.

O fumo. Enquanto no Brasil temos propagandas contra o tabaco e campanhas educativas em prol da redução do número de usuários dessa droga, por aqui é bem o contrário. Muita propaganda a favor e nada contra. Em ambientes fechados, como bares e boates, é muito comum as pessoas fumarem. Lojas de conveniência (espalhadas por toda Coreia) vendem cigarros aos montes com as publicidades mais chamativas possíveis.

Os coreanos e coreanas têm plena consciência do risco à saúde  causado pelo tabaco. Mas quando questionados, a resposta é algo próximo de “a vida é muito difícil, preciso relaxar” – sim, eles precisam relaxar. Mas não acredito no cigarro como uma saída – ou “daqui alguns anos eu paro”. Muitos, de fato, param de fumar após constituírem família. Mas o vício do cigarro ainda é visível em boa parte da população.

Hoje, eu estava em uma loja de conveniência e duas crianças entraram para comprar um lanche e, ali estava uma super propaganda de cigarro parecendo um desenho animado infantil dos mais legais. Claro, o objetivo não é vender cigarros para crianças, isso nem é permitido, porém, uma criança que cresce em um ambiente com tantos bichinhos bonitinhos em propagandas de cigarro, tende a absorver aquilo como algo bom e divertido. O que eu não consigo aceitar.

Vale ressaltar que o governo sul coreano enxerga o fumo como um problema sério a ser enfrentado. Novas políticas vêm sendo implementadas para tentar reduzir o consumo, aumento de impostos na comercialização do fumo, proibição de fumar em locais públicos (a grande maioria das pessoas respeita muito bem essas regras) e, provavelmente, muitas outras a longo prazo. Entretanto, a publicidade continua forte por todos o lugares.

Não possuo estatística para compartilhar no momento, mas acredito que esse câncer na sociedade coreana faça um belo estrago em perdas de vidas por aqui. No mais, só me resta torcer para que esse povo largue esse vício tão problemático que nós, sociedade brasileira considerada “em desenvolvimento” já estamos enfrentando há muito tempo.

Cigarros à venda em loja de conveniência
Gatinho “fofinho” da publicidade de algum cigarro novo

Um relato sobre a fronteira – Parte I

[Dia 5]

Estou na Coreia do Sul. Um país extremamente bem desenvolvido tecnologicamente, porém, em guerra.

Sim, em guerra. A península coreana foi dividida em 1953 em Coreia do Norte e Coreia do Sul. E essa divisão ainda  existe até hoje. Essa foi delimitada através de um armísticio (um cessar-fogo oficializado através de um documento sem prazo validade) assinado pelos dois países em Julho de 1953. Desde então, a fronteira entre as Coreias é conhecida como DMZ (Zona Desmilitarizada), que desmilitarizada só tem o nome e é considerada a região mais militarizada do planeta. “Por que isso?”, um armísticio não garante que a guerra acabou, tendo isso em mente, não faz sentido desproteger a fronteira e virar as costas para o inimigo. Portanto, há necessidade dos dois lados de proteção e, consequentemente, militarização intensa.

No início deste ano, quando meu pai veio me visitar por aqui, nós estivemos por lá e isso foi o que eu escrevi logo que voltei do passeio:

“Um lugar como qualquer outro. Um pedaço de terra. Um riacho que flui alimentando a maravilhosa fauna silvestre da região. Uma ponte, um pássaro voa de um lado para o outro e, voa de volta. Tudo se apresenta calmo e tranquilo. Mas o ser humano limitou aquela região. A ponte é conhecida como a “Ponte Sem Retorno”, quem passou, nunca voltou. Grades, arames farpados e cercas por todos os lados. Estou na fronteira no meio da península coreana, paralelo 38. Fronteira entre o Sul e o Norte. A ideologia de algumas pessoas simplesmente criou barreiras intransponíveis, há décadas, para o ser humano. A natureza, porém, só ganha com isso.”

Ainda há muito o que falar, mas o tempo é curto e outros relatos serão feitos.
A caminho da fronteira. Coreia do Norte e suas montanhas ao fundo.
A caminho da fronteira. Coreia do Norte e suas montanhas ao fundo.

A terra do sempre

[Dia 4]

Montanhas-russas, barca gigante, teleféricos, jardins de flores ultra coloridos, corredeiras e brinquedos que giram, giram e giram mais um pouco. Isso é uma pequena parte do que tem no maior parque temático de diversão da Coreia. Nada muito grande comparado a complexos Disney e Universal, ainda assim, muito legal de conhecer e aventurar em tantas atrações radicais e não-radicais.

O nome é “Everland”, uma palavra, até onde meus conhecimentos de inglês alcançam, sem tradução. E como já estou acostumado com nomes em inglês de coisas coreanas, esse não é uma exceção à falta de sentido direto. Muito provavelmente, referência a “Neverland” ou, à “Terra do Nunca” de Peter Pan, “Everland” pode ser entendido, também, como a “A Terra do Sempre”. Mas isso pouco importa. O importante é o parque ser legal e cheio de coisa para a criançada se divertir.

O famoso desenho coreano Pororo está por toda parte para alegrar da molecada. Tem de tudo um pouco, “safari” para observar leões, elefantes, guepardos, rinocerontes, flamingos e diversos outros animais, dar volta montado nas costas de camelos, cinema 4D com o filme Rio 2, desfile de personagens no fim da noite e tantas outras atrações que exigem bastante disposição para serem exploradas.

E pra ilustrar um pouquinho esse parquezão de diversão, aí vai um vídeo e algumas fotos do que eu vi por lá.

Frutos do mar de Seul

[Dia 3]

Uma antiga estação da primeira linha de metrô de Seul – talvez uma das mais antigas – ainda apresenta uma certa originalidade comparada às suas irmãs cheias de reformas bem sucedidas e cuidados diários que as deixam impecáveis, como o povo coreano gosta de ser reconhecido. Ali está um dos mercados mais famosos da metrópole.

Um cheiro característico me atrai e me repele ao mesmo tempo. Minha curiosidade me empurra para aquele mar. Mergulho dois lances de escada abaixo e estou em um dos maiores mercados de frutos do mar da Coreia. Quase centenário, fundado em 1927, ele não esconde as cicatrizes do tempo. Um típico mercado, com dezenas, ou talvez centenas, de vendedores em seus “quadrados” tentando te atrair a todo custo. Tudo é muito vistoso e dá vontade de sair encostando naquele tanto de “coisa do mar”.

A verdade é que a razão por trás da ida ao mercado de Noryangjin foi a de experimentar o tal do polvo vivo. Isso mesmo, compramos o polvo no mercado, vivo e nadando em bacias de água, colocamos em uma sacolinha e, levamos ao segundo andar do mercado. Vários restaurantes nos aguardam com diversos cardápios para experimentarmos os mais diversos frutos do mar por muitos milhares de dinheiros coreanos (até mesmo porque o dinheiro aqui é contado em mil – WON sul coreano). Nada de restaurante caro, uma pechincha aqui e outra ali, conseguimos uma mesa do lado de fora de um restaurante para que eles preparassem o nosso polvo recém-capturado de uma bacia do mercado.
Eles preparam nosso polvo, acho que só picaram e jogaram algum molho por cima, e ali estamos nós todos para mandar aqueles tentáculos cheios de ventosas para dentro dos nossos respectivos estômagos. A verdade é que somos bem medrosos para comer essas coisas, só alguns pedacinhos para cada um, muitas fotos e vídeos para compartilhar pelo mundo e, pronto. Missão POLVO VIVO cumprida!

E aí vai o vídeo para conferirem o que como foi essa missão.